Cinemateca Brasileira reabre ao público após um ano e meio | Jornal Nacional

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Não havia noite melhor do que uma sexta-feira 13 para se exibir “A Praga”, filme inédito de José Mojica Marins, o famoso Zé do Caixão.

“A Praga”, gravado em 1980, ficou inacabado por mais de 20 anos, por falta de dinheiro. O cineasta Eugenio Puppo encontrou as latas com os negativos no escritório de José Mojica e deu início a um trabalho que só terminou em 2021.

“Mojica filmada sem som. Então, tivemos que contratar uma pessoa com deficiência auditiva para fazer a leitura labial das cenas para que pudéssemos transcrever os diálogos que depois dublaríamos. Depois disso tudo, editamos o filme, fizemos uma trilha sonora original e enviamos os negativos originais para os Estados Unidos para serem digitalizados em 4K”, conta.

A restauração do filme teve o apoio da Cinemateca Brasileira, que reabriu nesta sexta-feira (13) ao público. O espaço abriga o maior acervo de filmes da América do Sul e praticamente toda a produção audiovisual de cinema e TV do Brasil.

Nos quatro galpões da Cinemateca, muitos negativos originais estão dentro de rolos, e são corredores e corredores. Passeando por ali, você encontra filmes raros e históricos, como “Macunaíma”, de 1969. Tudo isso é mantido em uma umidade controlada, a temperatura também, 10,4°C, que serve para manter esse arquivo histórico.

E, num corredor, há outra parte, um acervo, que tem muito a ver com a reabertura da Cinemateca nesta sexta-feira (13), onde está o acervo de filmes de Zé do Caixão.

A Cinemateca estava fechada há um ano e meio, após uma crise administrativa, uma enchente e um incêndio, que destruiu parte do acervo com documentos, como pôsteres de filmes que estavam em um galpão.

Em julho de 2020, o Ministério Público de São Paulo ajuizou ação contra o governo federal pelo abandono da Cinemateca. No início de 2021, gestão passada para a Sociedade Amigos da Cinemateca.

“Poder reabrir é uma grande alegria. É um lugar fundamental não só para o público, porque aqui fazemos exposições, debates, cursos, mas é fundamental para a memória do cinema e do audiovisual, onde recuperamos filmes, onde preservamos essa memória, seja filme, sejam documentos”, diz Maria Dora Mourão, diretora-geral da Cinemateca Brasileira.

Pelas mãos e olhos de Jesus Fernandes da Silva, técnico de restauro de filmes, já foram exibidos filmes nacionais raros. Sua história também rendeu um filme.

“Eles tiveram muitos problemas com quebra de equipamentos. Fui lá, desenvolvi o trabalho e me apeguei aos filmes. Então, comecei a ter gosto pela novidade”, lembra.

Um mecânico, contratado para consertar projetores, que se apaixonou pelo cinema e que hoje trabalha para que nossa história, registrada nos negativos, não seja apagada.

“Há uma coleção que já restauramos. Mazzaropi, ‘O Vigilante Rodoviário’, que eu assistia quando menino. É uma viagem no tempo”, define Jesus.

“Manter a memória das imagens e sons é algo muito especial, porque você se vê na tela, vê como era o passado. Ele te ajuda muito para o presente e para o futuro, ele te ensina muito”, enfatiza o diretor-geral.